O diário de bordo da Baratos da Ribeiro, conforme narrado por Maurício Gouveia, o livreiro-mor da nau. O Sebo Baratos da Ribeiro está desde 2001 fazendo de Copacabana ainda mais princesinha. Livros e LPs para se fazer a cabeça e os ouvidos. Ficção, poesia, teatro, cinema, filosofia, ciências sociais. Rock, jazz, bossa-nova e tropicalismo. Quadrinhos, cartazes de cinema, pocket books etc etc e muito mais etc.

quinta-feira, novembro 04, 2004

TINTIN, PSICANÁLISE & ROCK

As pencas de Quadrinhos que anunciei na semana passada estar preparando aumentam aos montes. Conforme o sujeito pôde intuir, nosso cardápio se compõe principalmente do melhor que a Editora Abril publicou entre 1983 e 1993 – clássicos da Marvel (como o Capitão Marvel de Jim Starlim e os X-Men desenhados por John Byrne) e a fase áurea da DC Comics pós-Crise nas Infinitas Terras, quando a empresa contratou os melhores roteiristas e desenhistas para reformularem totalmente seus personagens. Mas a velha guarda da Sétima Arte não vai ficar chupando o dedo. É difícil conseguir boas edições estreladas por Bucky Rogers, Ferdinando, Mandrake e outros septuagenários e octogenários. Um dos pacotes a caminho da loja reúne 3 revistinhas (já dos anos80) com tiras de “Os Sobrinhos do Capitão”.

Mas o que realmente merece os holofotes é um livro de psicanálise estrelado por Tin-Tin. “Tin-Tin no Psicanalista” é o livro de Serge Tisseron lançado pela Bertrand portuguesa em 1987 e sub-entitulado “Ensaio sobre a criação gráfica e a encenação dos seus dados na obra de Hergé”. O autor destrincha os clichês narrativos do universo de Tin-Tin e aventura no que o quadrinista belga insinua em sua obra. Mas nenhuma descrição faria melhor do que apresentar ao sujeito o índice do livro de Tisseron:

“Primeira Parte: As lágrimas da Castafiore, elementos de continuidade hergeana.
1930-40, Tintin e Milou ou os inseparáveis separados / 1940-48, Haddock e o fantasma do cavaleiro ou a questão da ligação paterna / 148-52, Tornesol descola ou a questão da ligação materna / 1963, Bianca Castafiore ou a mulher e sua jóia / A cantora deformante ou a identidade à prova de espelhos / os espelhos durante, antes e após As jóias de Castafiore.”

“Segunda Parte: De Tintin a Hergé.
Os segrdos dos pássaros / Hergé e a questão materna.”

“Terceira parte: Tintin e o segredo do desenho.
O inconsciente do traço / escrever, desenhar, pintar / romances e fantasmas particulares / fantasmas de autor e fantasmas de gênero.”

Aliás, a turma da velha guarda tem fogos para soltar este ano. Afinal foi lançado há alguns meses o livro Quadrinhos Dourados (96 páginas, umas 15 pila novo), pela Opera Gráfica. Conforme o press-release aponta, Diamantino da Silva , em ritmo de autobiografia, resgatou a memória de um dos períodos mais belos da história editorial brasileira: a era dos suplementos infantis. O livro é desses que será fonte de consulta permanente para todos os futuros colecionadores de histórias em quadrinhos, trazendo informações fidedignas sobre as publicações pioneiras, caso de o Suplemento Juvenil, Mirim, O Lobinho e O Globo Juvenil. E Diamantino da Silva é autor de um outro delicioso, descompromissado e memorialista livro chamado “Quadrinhos para Quadrados”. Esse sim, só batalhável nos sebos.


E interessados em HQ de todas as cores, tamanhos e manias devem ficar atentos para a Mosh! número 6, o gibi de bolso editado pelo Lobo. Artistas novíssimos, muitos com vinte-e-poucos-anos, pirando na batatinha visualmente falando e empenhados em narrativas intimistas e líricas ou em escracho gratuito. E essa última edição está bem melhor do que a anterior – me impressionou os desenhos do Mitchell e o sarcasmo anti-bush do Fábio Monstro, sem faalr no arrojo (totalmente Sin City de Miller) da história do Hotel Divino e no charme de “A velha Musa”, do Odyr. E não há álibi para o crime de deixar passar a Mosh!. Ela custa 3 mangas só, está à venda no balcão da Baratos e pode ser autografada pelos autores 2 vezes por mês, durante os Vespeiros, as tardes de shows de bandas de rock na Baratos da Ribeiro.

1 Comments:

Blogger bloggar'deejays said...

Bem,Diamantino da Silva vem com o duo Kendi Sakamoto e Umberto Losso( infelizmente,falecido no início desse ano) com um tremenda obra:"Nos tempos das Matinées" da Editora Laços,é uma pesquisa sobre as principais fachadas de cinemas antes de 1960;estúdios,produtores,atrizes e atores daquela época.
Trata de uma importante obra,para estudantes,diretores e até cinéfilos em geral...
O preço simbólico de R$30,00(mais o frete via Correio de R$5,00),faz desse livro;um grande "delicatessen"para quem quiser desvendar a história das "matinées em terras brasilis"
Contatos:
mocinhosebandidos@ig.com.br

Obs.Gostei da matéria do blog...

16 de novembro de 2007 15:57

 

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