UMA OUTRA LOJA TÃO BACABANA QUANTO A NOSSA
Sexta é dia de Plano B, tanto quanto sábado é dia da Baratos. Não todos, porque não damos conta de mais do que 2 Vespeiros (aquelas tardes de balbúrdia roqueira). Essa canseira é fato comprovado pela igual regularidade das festas/ happenings do Plano B, também mais ou menos quinzenal. Mas também pudera, por detrás do balcão do Plano B as maquinações não param. Além do tatuador que trabalha atrás das cortinas, existe um aparelho montado para sabotar as estruturas da música. Na verdade, o Plano B é a única loja carioca verdadeiramente alternativa. E a mais parecida com o tipo de loja que enche a Galeria do Rock lá na Rua 24 de maio em São Paulo. Porque a Baratos da Ribeiro é uma loja pop, só acusável de alternativa se comparável à tacanhices ou caretices hiperbólicas como a Modern Sound ou a Livraria da Travessa. Ou porque tenta outras vezes ser a Travessa ou a Modern Sound com 1 pentelhésimo dos recursos que essas duas têm, alardeando ghrandes projetos e idéias de forma meio tosca. (Mas aí é só uma questão de tempo...)
E voltando ao Plano B: Fernando Kraut era tido como roqueiro progressivo, que não conseguiu esconder suas verdadeiras intenções depois de ter formado o Can do Garfo, e daí pra assumir as correntes na banda sado-no-wave Pornopunk foi uma gargalhada. Hoje o também conhecido como Fernando Sagitário trocou seus amps Marshall por computadores, sintetizadores e drummachines. Além de ter transformado o Bolacheiro no Plano B, foi co-fundador da Fronha Records, que atualmente já não conta com seus préstimos, mas vai bem, obrigada (e ainda amiga do peito). Vale conferir:
Como não sei o que sai a seguir da cartola do Fernando, dou uma idéia do tipo de música com o qual ele anda envolvido transcrevendo a ´notícia mais recente do site da Fronha Records: “Hrönir lançou um novo disco virtual pela Cumshot Records (Chile)
Ou seja, o Plano B, além de loja maneira, é, quando evento, um projeto paulista (formalista, eletrônico, jazzístico, extremamente autoral, cerebral, concretista, novaiorquino, arrojado, desinteressado no conforto ou acessibilidade do público) realizado de forma carioca (sarcástico, mambembe, informal, caseiro, altamente alcoólico, improvisado e aberto a também não ser nada disso). É curioso como o Rio de Janeiro é pop, no sentido mais simplório de popular mesmo. Justamente uma das cidades brasileiras em que a situação é mais séria - violência & pobreza endêmica - a população parece mais vocacionada à alegria e à sensualidade. E as letras e o cancioneiro carioca teve, e ainda têm, seus momentos mais brilhantes quando assume sua faceta festeira. Antonio Maria e Vinícius eram sim tristonhos, mas existe uma teatralidade, ora cínica, ora irônica, dos seus excessos. E entre os grandes discos do rock tupiniquim, não há nada mais paulista do que Fellini e nada mais carioca do que Picassos Falsos.

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